Sócio de Serra usou o Banespa para lavar dinheiro de Cayman http://www.barney1.hpg.com.br/motta1.htm
Rioli foi nomeado por Serra para a direção do Banespa e autorizou a reinternação de 3 milhões de dólares de Cayman, esquema de Ricardo Sérgio, caixa de Serra
Ao analisar os documentos e as falcatruas do PC de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, atuando juntamente com o sócio de Serra, Vladimir Antônio Rioli, que assaltaram os cofres do Banespa e realizaram a lavagem e a internação de US$ 3 milhões das ilhas Cayman, chega-se à conclusão que o PC Farias de Collor não passava de um mero ladrão de galinhas, podendo até ser canonizado perto desse bando que depenou o patrimônio público nacional em troca de polpudas propinas depositadas em bordéis fiscais no exterior.
O esquema "Cayman de Ricardo Sérgio e Rioli", como o leitor pôde acompanhar pelas últimas edições do HP, refere-se à negociata montada por Ricardo Sérgio de Oliveira, através do Banespa, para a reinternação de US$ 3 milhões provenientes das ilhas Cayman. A revista "IstoÉ" da última semana trouxe um novo detalhe que fecha o ciclo e os integrantes da quadrilha que se aboletou no Banespa para amealhar o dinheiro público e utilizar o banco como instrumento para lavar e internar dinheiro sujo que se encontrava em paraísos fiscais. São, aliás, a mesma quadrilha que depois entregou o banco público de São Paulo aos estrangeiros.
RIOLI
Além de Ricardo Sérgio, caixa de Serra - e arrecadador de dinheiro para Fernando Henrique desde 1985, na eleição para Prefeitura de São Paulo -, e posteriormente indicado por Serra para a direção da área internacional do Banco do Brasil, outro protagonista do esquema era Vladimir Antônio Rioli, nada mais nada menos do que o sócio de Serra em uma empresa de consultoria financeira e econômica, montada em 1986, quando o tucano deixou a Secretaria do Planejamento do governo Franco Montoro. A empresa foi mantida pelos dois até 1995. A convivência de ambos já vinha desde a década de 70 quando Serra e Sérgio Motta fingiam ser de esquerda.
Rioli ocupava o cargo de vice-presidente de operações do Banespa, um cargo que, depois de uma mudança extraordinária no estatuto, possibilitou que ele autorizasse transações de grande monta, principalmente fornecimento de empréstimos. Com esse poder, Rioli autorizou o "Contrato Particular de Emissão, Colocação e Pagamento de Títulos no Mercado Internacional (Fixe Rate Notes)" entre o Banespa e a empresa Garance Textile S/A (denominada posteriormente como Calfat S/A), em 14 de fevereiro de 1992, que possibilitou que a referida empresa - na época em fase falimentar - "vendesse" títulos no exterior para trazer de volta ao Brasil US$ 3 milhões que foram depositados na agência do Banespa nas ilhas Cayman e depois pararam em uma conta da Calfat, no mesmo banco, em Campinas, no interior de São Paulo.
O presidente do conselho deliberativo da Calfat era o caixa de Serra, Ricardo Sérgio, que, inclusive, atuou como o fiador do esquema. A Calfat estava praticamente falida e mesmo em situações normais não teria capacidade para realizar jogadas dessa grandeza.
ROUBO
Para dar mais credibilidade ao esquema, Rioli fez o Banespa ingressar na Justiça para recuperar o dinheiro que não foi pago por Ricardo Sérgio. Então, estranhamente, os advogados do banco descobriram que "foi penhorado um único imóvel dado em garantia hipotecária, o qual é manifestamente insuficiente para a liquidação integral do débito" como descreve um protesto no qual se propõe a intimação de Ricardo Sérgio.
O processo foi sendo protelado e tanto a Calfat não pagou o débito como os "investidores" que "compraram" os títulos no exterior jamais se preocuparam em reaver o dinheiro investido na Calfat, do qual o Banespa foi o intermediador, ou seja, o então devedor. Para especialistas em transações no exterior e para o Ministério Público Federal, não há dúvidas que se trata de uma lavagem e reinternação de dinheiro sujo, pois as empresas que adquiriram os títulos não passavam de laranjas usadas para enviar o dinheiro ao país com o aval do Banespa, ou melhor, do sócio de Serra, Rioli.
Mas o detalhe mais estranho ainda estava para vir. Em 15 de fevereiro de 1995, logo depois da intervenção do governo federal no Banespa, o interventor Altino da Cunha, designado por Pedro Malan para a tarefa, nomeou uma série de novos advogados para o banco, como demonstra a certidão que foi registrada no 17º Cartório de Notas de São Paulo. Logo depois disso, alguns advogados nomeados pelo interventor compareceram na 5ª Vara Civil do Fórum de Santo Amaro, zona Sul da capital paulista e retiraram todo o processo movido contra Ricardo Sérgio. Resultado: os documentos jamais apareceram, demonstrando queima de arquivo, isto é, de provas.
E, logo depois dessa operação que lavou US$ 3 milhões em setembro de 1992, Rioli liberou para a empresa de Ricardo Sérgio, a Calfat, um novo empréstimo de CR$ 3,5 bilhões (atualmente correspondente a cerca de R$ 1,7 milhões) sem que a empresa oferecesse qualquer tipo de garantia. No outro ano - segundo informações colhidas pela CPI do Banespa - Rioli continuou fazendo transações com Ricardo Sérgio para internar dinheiro do exterior.
Além dessas falcatruas citadas acima, Rioli é portador de uma longa ficha de assaltos aos cofres públicos. Em 1993 ele foi responsável por um rombo de US$ 14 milhões nos cofres da ex-estatal Cosipa, fato denunciado pelo HP na época. Mais tarde ele foi indicado pelo governo federal para participar de um dos principais esquemas que resultaram na cobrança de propinas: o programa de "desestatização", ou melhor, de doação de estatais. Esse é o sócio de Serra.
MARIN
Os laços de Rioli com Serra não se resumiam, como querem passar, à "amizade", à sociedade e às negociatas com Ricardo Sérgio. A CPI do Banespa descobriu que o empréstimo concedido pelo banco, em 1993, para o primo e ex-sócio de Serra, Gregório Marin Preciado, no valor de R$ 21 milhões foi autorizado por Rioli. O primo de Serra também usou das "benesses" parentescas e da atuação de Rioli para conseguir um perdão de, pelo menos, R$ 17,1 milhões dessa dívida que tinha com o Banespa em 13 de dezembro de 1999, período em que o Banco encontrava-se federalizado, isto é, sob o comando do governo federal através do Banco Central.
Gregório, que é casado com dona Vicência, prima de Serra, tem uma ligação muito estreita com o contra-parente, fato que lhe rendeu, ou melhor, lhes renderam vários milhões, tais como no caso Banco do Brasil - R$ 73,7 milhões - e três estatais de energia elétrica no Nordeste, sob a guarda de Ricardo Sérgio. Em virtude disso, Gregório havia sido convocado pela "CPI do Banespa" juntamente com o caixa de Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, para tentar explicar a redução de 81,4% de sua dívida. Diante do apavoramento generalizado que isso gerou no Planalto, deputados tucanos realizaram uma manobra na calada da noite para impedir que seus "colegas" fossem ouvidos. Outro detalhe que chama a atenção em todo essa transação é o fato do primo de Serra jamais ter se preocupado em quitar os seus débitos.
Por ser primo de Serra, Gregório também cultiva relações muito próximas com outros integrantes da cúpula tucana, recebendo-os em sua mansão de férias situada na badalada praia de Trancoso, em Porto Seguro, no sul da Bahia. Em sua "casinha", modestamente avaliada em R$ 1 milhão, e que ocupa um quarteirão inteiro de um centro histórico na beira do mar, não é difícil de se encontrar o filho de Fernando Henrique, Paulo Henrique Cardoso, o marqueteiro de Serra, Nizan Guanaes, o filho de Serra, Luciano, além, é claro, de dona Mônica, mulher do ministro da dengue.
BANDO
Nas redondezas, Gregório não é só conhecido pelos seus relacionamentos, mas, principalmente porque costuma se apresentar como "assessor da privatização da Coelba (empresa de distribuição de luz da Bahia)". Foi ele, juntamente com Ricardo Sérgio, que montou o grupo, encabeçado pela espanhola Iberdrola e que levou alguns milhões da Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil) para açambarcar a ex-estatal, assim como outras estatais de Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Portanto, o leitor há de convir que o bando de Collor, enxotado pelos brasileiros por roubar e pela sua política econômica que depois foi implementada por Fernando Henrique, foi condenado por amealhar 1, 2, 3 milhões. Já o bando serro-fernandista não se ouviu falar, até agora, de algum esquema que não beirasse as dezenas de milhões. R$ 90 milhões na Telemar, US$ 15 milhões na Vale (conhecidos), R$ 73 milhões no Banco do Brasil, mais de 20 milhões no Banespa, milhões em Cayman, prédios luxuosos, fazendas gigantescas, etc. Sem contar, evidentemente, as negociatas das demais estatais de telecomunicações e de energia. Ou seja, essa gente, se é que podem ser chamados assim, depenaram o país e vêm roubando o país em quantidade oceânica.
ALESSANDRO RODRIGUES
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