sábado, 19 de junho de 2010

      Hoje estive no Memorial da Resistência, em homenagem oferecida pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência de São Paulo, à maravilhosa Madre Cristina.
      Inicialmente foi realizado o debate: “A LUTA DAS MULHERES POR DEMOCRACIA E LIBERDADE”, tendo como rebatedoras:
KATIA FELIPPINI – Museóloga - Memorial da Resistência de São Paulo
RITA SIPAHI – Advogada, militante social desde a resistência contra a Ditadura Civil-Militar brasileira, atualmente é Conselheira da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
NALU FARIA – Psicóloga, militante feminista, é coordenadora geral da Sempreviva Organização Feminista (SOF) e integrante da Secretaria Nacional da Marcha Mundial das Mulheres no Brasil
VERA SOARES – Física, pós-graduada em Educação e Economia; pesquisadora e militante feminista, Conselheira do Conselho Científico do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais de Gênero - NEMGE da USP.


      
      CRISTINA CÉLIA SODRÉ DÓRIA, a religiosa da Congregação de Nossa Senhora - Cônegas de Sto. Agostinho, ou seja, MADRE CRISTINA era psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mulher, freira, psicóloga e militante política, lutadora corajosa pela liberdade e dignidade da pessoa humana, em múltiplas frentes de batalha.
      Madre Cristina nasceu em Jaboticabal, interior do Estado de São Paulo, no dia 07 /10/1916. Cresceu entre discussões políticas animadas pelo pai advogado e o aprendizado de respeito e disponibilidade para com o próximo.
      Célia Dória tomou o Hábito religioso, c/o nome de Irmã Cristina Maria e iniciou o Noviciado em 1942, no primeiro Colégio aberto pela Congregação em nosso pais, situado em São Paulo. Ela lecionava no curso de Pedagogia da Faculdade Sedes Sapientiae e graças seus esforços, juntamente com outros colegas, foi criado no Brasil, pelo Ministério da Educação, nos anos 60, o curso de Psicologia e reconhecida a profissão de psicólogo.
      Em 1940, Madre Cristina iniciou a Clínica Psicológica, ligada à Faculdade Sedes Sapientiae. Nessa Clínica, a Madre atendia pessoalmente numerosos pacientes carentes.
      Em 1954 prestou concurso para catedrática na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, recebendo concomitantemente o título de Doutora em Psicologia.
       Madre Cristina publicou vários artigos e as seguintes obras: Psicopatologia (1958), Psicologia científica geral (1960), Psicologia educacional (1961), Educando nossos filhos (1968) e Psicologia do Ajustamento neurótico (1975).
      A convite de Universidades e entidades estudantis proferiu palestras em vários Estados do Brasi. lCom apoio da Congregação, Madre Cristina seguiu cursos no exterior e realizou estágios em hospitais psiquiátricos da Europa.
      Madre Cristina com suas mensagens,tinha o intuito de despertar ouvintes e leitores para a responsabilidade ética, social e política, mensagens estas destinadas a formar cidadãos e cidadãs conscientes e participativos, militantes. Atou inicialmente na Ação Católica  e mais tarde, durante a ditadura militar, atuaou no sentido de formar militantes nos diversos movimentos e organizações da esquerda brasileira.
      Nos anos 70, a Congregação Cônegas de Sto.Agostinho decidiu pela integração da Faculdade Sedes Sapientiae à PUC de São Paulo, então Madre Cristina  optou pela criação de um Instituto autônomo, o Instituto Sedes Sapientiae.
      No Instituto Sedes Sapientiae, Madre Cristina fêz trabalhos maravilhosos de formação de profissionais e militantes políticos engajados na luta contra a ditadura, contra a tortura e todas as formas de opressão, à favor dos direitos humanos, das liberdades democráticas e respeito integral à dignidade da pessoa humana.      
      No Inst. Sedes Sapientiae realizou-se então, em 1978, o I Congresso pela Anistia. À pedido do Cardeal D.Paulo Evaristo Arns, o Instituto Sedes fêz a maior parte das pesquisas sobre processos políticos que transitaram  naJustiça Militar entre 1964 e 1979. Essas pesquisas foram reunidas na obra "Brasil, nunca mais", publicada em 1985 e seguida em 1987 pelo volume "Perfil dos atingidos".
      O Instituto Sedes abrigou ainda, por muitos anos, diversos movimentos, como o MST, a Pastoral da Terra, a União das Nações Indígenas e a Comissão pró-Índio, de São Paulo.
      O InstitutoSedes Sapientiae foi e continua sendo hoje um espaço aberto para todos aqueles que assumam o compromisso de participar, pelo estudo, reflexão e ação, na construção de uma sociedade justa e solidária.    
      "Uma sociedade conforme à vontade de Deus", como dizia Madre Cristina.
      E conforme diz Dom Thomaz Balduino", para realizar o projeto de Deus, revelado na Bíblia, a sociedade só poderá e deverá ser SOCIALISTA. "

Informações retiradas da homenagem prestada à Madre Cristina por Laura Fraga de Almeida Sampaio no ano 2000. Laura foi ex-aluna de Madre Cristina,I rmã na Congregação religiosa desde o Noviciado. Conviveu c/ Madra Cristina na mesma Comunidade por 10 anos, incluindo os primeiros anos da ditadura militar. Confira os dados sobre Madre Cristina em: http://www.infofluxo.com/drupal/node/121

Em sua homenagem foi distribuido hoje o livro "Luta, Substantivo Feminino- Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura. Direito à Memória e à Verdade" (Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República).
      Esta foi minha homenagem como ex-aluna do Instituto Sedes Sapientiae, do Curso de Violência Doméstica, à Madre Cristina, pessoa maravilhosa, que tantas pessoas ajudou e ao Instituto Sedes, que me ensinou muito além do curso que realizei.
Rosely B T Marques

Nenhum comentário:

Postar um comentário